A EUFASA Grupo de Trabalho Filhos realizou este ano de 2026 um inquérito sobre Apoios à educação e Obstáculos no acesso ao ensino superior para os filhos dos diplomatas, junto das Associações de 21 países.
A mobilidade diplomática constitui uma exigência legal do Estado, mas o percurso académico dos filhos não pode ser penalizado por essa missão pública. O objetivo desta análise foi avaliar os desafios na transição para o Ensino Superior com base em três pilares essenciais: o Apoio Financeiro, o Incentivo ao Regresso e a Harmonização de Equivalências.
No que respeita aos apoios financeiros, enquanto o SEAE ( Serviço Europeu para a Acção Externa) cobre propinas internacionais elevadas ( um subsídio mensal até aos 26 anos e financiamento de propinas fora da UE até cerca de 25 mil euros/ano) e a Suíça (que disponibiliza um subsídio anual para estudos universitários se o jovem estudar num país diferente do posto do pai/mãe e reembolsa cursos de línguas nacionais ), a maioria dos países europeus, não oferece qualquer apoio financeiro direto para o ensino superior.
Relativamente às políticas nacionais que incentivam o regresso ao país de origem para o ingresso no ensino superior, Portugal é um dos raros países (apenas 2 na amostra- Hungria e Portugal) a incentivar ativamente o regresso dos estudantes através de um Regime Especial de Acesso ao Ensino Superior. Este sistema garante um contingente de vagas nas universidades públicas nacionais para filhos de funcionários diplomáticos. Esta solução neutraliza o debate sobre a injustiça social, uma vez que não acarreta custos diretos para o contribuinte e integra estes jovens no sistema público sob as mesmas propinas moderadas dos cidadãos residentes. O desafio atual passa por garantir que este acolhimento salvaguarde a saúde mental e a reintegração cultural dos jovens após anos de ausência.
A rede de escolas francesas no estrangeiro (AEFE) apoia os alunos do último ano do ensino secundário na candidatura à universidade em França e garante que as suas candidaturas têm acesso total e consideração justa. Em comparação com outros países, a França vive uma situação relativamente fácil por possuir uma vasta rede de escolas no estrangeiro, o que significa que poucos filhos de funcionários do serviço externo francês enfrentam dificuldades de equivalência de notas ao regressarem ao ensino superior no seu país de origem. Existe também um subsídio escolar até aos 21 anos. Alemanha: O DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Académico) visa incentivar os estudantes a continuar os seus estudos na Alemanha.
A aprendizagem da língua materna, 11 MNEs oferecem programas para apoiar a aprendizagem da língua oficial do país de origem. Portugal disponibiliza aulas através dos centros de língua portuguesa do Instituto Camões em 38 países; a Eslovénia oferece cursos online e presenciais gratuitos; a Irlanda financia tutoria da língua irlandesa durante as missões.
A língua é o maior fator de integração e também de saúde mental (um tema explicitamente citado no slide de abertura como “importante”). Se o MNEs não financiarem ativamente a manutenção da língua materna durante as missões, estarão a criar barreiras linguísticas invisíveis que mais tarde impedirão o jovem de estudar ou trabalhar no seu país natal.
Por último, no que toca à harmonização das equivalências, 13 países responderam que “as equivalências do International Baccalaureate (IB) e Bacharelados Internacionais não são um obstáculo”. No entanto, nas conclusões, a própria EUFASA e países como Portugal e Áustria admitem que a falta de harmonização é um problema grave e funciona como uma barreira invisível que pode comprometer a igualdade de oportunidades no acesso às universidades. Criar um sistema geral de acesso às universidades europeias com equivalências automáticas, alinhado com o Espaço Europeu da Educação, pode ser um caminho.
O plano estratégico do Grupo de Trabalho Filhos para o próximo ano irá focar-se em quatro eixos fundamentais para apoiar os estudantes filhos de funcionários ao serviço do Estado (FSE) e otimizar o seu percurso académico e integração cultural.
- Apoio Financeiro no Ensino Superior;
- Incentivos ao estudo no país de origem ;
- Gestão do choque cultural inverso e
- Harmonização europeia de diplomas.
